quarta-feira, 8 de maio de 2019

Olavo de Carvalho e o silêncio para surdos do governo federal

Olavo de Carvalho e o silêncio para surdos do governo federal
 Foto: Reprodução / Facebook

Ao menos uma vez por semana – numa perspectiva otimista – vemos no noticiário uma reação a um comentário do autointitulado filósofo Olavo de Carvalho. O guru da ideologia de extrema direita no Brasil, mesmo residindo há tempos nos Estados Unidos, é uma metralhadora de impropérios contra qualquer um que se coloque contrário ao que ele defende. Até o momento, mostra-se muito mais como alguém parado no tempo, vivendo o receio do comunismo dominar o mundo, do que uma pessoa preocupada com o futuro e o tal legado glorioso que promete deixar. Porém ainda há quem o trate como uma voz audível
 .
O último embate público de Olavo foi com os militares Santos Cruz e Villas Boas. Abusando da milícia virtual orquestrada pelos seguidores, mais uma vez o ideólogo fragilizou as relações internas do governo federal e criou tensão com o núcleo ligado às Forças Armadas que compõem os altos escalões de Jair Bolsonaro. Como todo e qualquer analista fez questão de frisar, o episódio faz parte da imensa lista de polêmicas desnecessárias nesses quatro meses iniciais de Bolsonaro no Palácio do Planalto.

É sabido desde a campanha eleitoral que a tática de dividir para conquistar, comum em jogos de estratégia, estaria presente no governo federal que tomou posse no dia 1º de janeiro. Porém era difícil imaginar que as sucessivas tentativas de implodir a própria administração viriam dos ditos aliados. É como se a oposição fosse desnecessária, não por conta da construção de uma coesão nacional, mas pelo esforço de insistir na máxima instabilidade possível.

Olavo é um símbolo disso. Mas é uma postura compartilhada pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro, por exemplo. O vereador do Rio de Janeiro, que tem acesso às redes sociais do pai, é, tal qual o autointitulado filósofo, uma bomba sob ameaça de explodir a qualquer tempo. Ambos foram responsáveis diretos pelas duas primeiras baixas da Esplanada dos Ministérios, Gustavo Bebianno e Ricardo Vélez Rodrigues – não que a permanência deles fosse algo com méritos. Preocupa, no entanto, que essas progressivas crises – ou cortina de fumaça – sejam alimentadas por influenciadores do presidente da República.

É uma situação delicada, inclusive jornalisticamente. Em diversos momentos, a imprensa é responsável por calar pessoas que não deveriam ter lugar de fala. Todavia, após a emergência das redes sociais, é extremamente complexo ignorar figuras que se autoproclamam da coxia presidencial, por mais que as declarações sejam impróprias para a governabilidade. Bolsonaro sabe disso, mas ainda insiste em dar voz e vez para Olavo e Carlos, para citar apenas os dois mais célebres.

Enquanto inúmeros problemas mais urgentes ficam fora das rodas de discussões, a exemplo do número impressionante de desempregados e até da própria reforma da Previdência, gastamos energia e tempo numa disputa por dragões de moinhos. É um silêncio tão amplo que afeta mesmo os surdos.

Este texto integra o comentário desta quarta-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.


por Fernando Duarte

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