segunda-feira, 8 de abril de 2019

Boatos de redes sociais precisam ser contidos para sanidade geral da nação

Boatos de redes sociais precisam ser contidos para sanidade geral da nação
Foto: Secom

Precisamos parar a epidemia de boatos por redes sociais. Durante a eleição de 2018, ela já foi extremamente problemática, mas atingia a população apenas indiretamente. Agora, todavia, o problema tomou proporções gigantescas com o uso de ferramentas como WhatsApp para espalhar pânico às escolas e a comunidades dos mais diversos rincões do Brasil. Na Bahia, em cerca de duas semanas, foram inúmeros casos em cidades como Irecê, Eunápolis e Cândido Sales, que levaram à suspensão de aulas e à prisão de suspeitos de dispararem as informações falsas. 

Durante o período eleitoral adotei uma prática básica na família: pedi que links só fossem compartilhados depois que consultassem uma segunda fonte. Funcionou, ao menos para os familiares mais próximos. Não impediu que recebesse “mamadeiras de piroca” ou “kit-gay”, por exemplo – para ficar em duas das correntes mais populares na época.

Na última semana, estudantes baianos foram vítimas de áudios inicialmente apócrifos que prometiam ataques em escolas. Motivadas pela tragédia de Suzano (SP), pessoas desequilibradas passaram a se aproveitar do momento para espalhar ameaças sem destinatário, provocando a interrupção da normalidade das atividades da comunidade escolar. Foi necessário, inclusive, o uso do aparato policial para tentar localizar as origens das mensagens para evitar que se repetissem. 



Ou seja, foram gastos recursos públicos para conter a epidemia de informações desencontradas. Coisas que poderiam ser facilmente coibidas com uma atitude muito simples: procurar mais informações sobre o que chega na sua caixa de entrada – do e-mail, SMS, WhatsApp ou qualquer outra ferramenta de comunicação que você use. Até mesmo jornalistas, que, em teoria, têm obrigação de apurar antes de reproduzir conteúdo, caem aqui e acolá nesse caldo de desinformação que se tornou a internet. 

Façamos uma mea culpa de que a imprensa não soube como reagir ainda ao fenômeno dos inúmeros produtores de conteúdo, que se distribuem indiscriminadamente pelas plataformas digitais. Estamos apanhando um pouco, mas estamos aprendendo. Não ajuda, no entanto, que autoridades públicas vivam a descredibilizar o trabalho da imprensa. Para além dos inúmeros pilares da democracia, é inegável que veículos de comunicação são importantes para ela. 

Como no último domingo foi comemorado o Dia do Jornalista, é importante fazer essa reflexão antes que a profissão seja completamente extinta. E, quando você receber um link, um texto ou uma afirmação travestida de notícia, eu peço um favor: confira o que já foi falado sobre o assunto antes de passar para frente. Você poupa tempo, dinheiro e pode evitar que boatos se espalhem à velocidade de um clique.

Este texto integra o comentário desta segunda-feira (8) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.


por Fernando Duarte/BN

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